O crédito privado no agro vive um choque de realidade.
Durante anos, o setor foi tratado como aposta segura: lastro em terra, produção recorde e uma narrativa de risco baixo que atraiu volumes crescentes de capital.
A realidade recente mostrou outra face: recuperações judiciais em série, garantias difíceis de executar e operações estruturadas com mais otimismo do que análise.
O problema não é o agro — é o preço que se pagou pelo risco. Taxas que não remuneravam a iliquidez, a judicialização e a concentração setorial.
Para o investidor, a lição é clara: crédito privado exige análise de emissor, de garantia e de estrutura — não de narrativa.
O agro continua relevante e gerador de valor. Mas a régua de risco subiu, e isso é saudável para o mercado.
Mateus Caldasso